Policial preso por assaltar motorista de app responde por organização criminosa; veja - Conexão Correio

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Policial preso por assaltar motorista de app responde por organização criminosa; veja

Foto: Divulgação/GMF. Preso na última sexta-feira (23) sob suspeita de assaltar um motorista de aplicativo no Centro de Fortaleza, o cabo da...

Foto: Divulgação/GMF.

Preso na última sexta-feira (23) sob suspeita de assaltar um motorista de aplicativo no Centro de Fortaleza, o cabo da Polícia Militar do Ceará (PMCE) José Dantes Barbosa Braga já tinha antecedentes criminais. O agente é um dos investigados pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) em um esquema de recebimento de propina na Grande Messejana.

Dantes também responde a um processo por desertar das funções no ano de 2024. Na época, ele faltou ao serviço sem justificar a tempo e alegou ao superior que estava em tratamento de dependência química domiciliar, sob cuidados da família.

Nessa segunda-feira (26), as prisões em flagrante do cabo e de Fabrício Duarte da Silva, investigado como parceiro do PM em assalto no Centro a um motorista de aplicativo de transporte, foram convertidas em prisão preventiva. As defesas dos suspeitos não foram localizadas pela reportagem.

"No que concerne ao risco de reiteração delitiva, quanto ao autuado José Dantes Barbosa Braga, a análise dos antecedentes criminais e infracionais demonstra a existência de registros relevantes. A presença de processos criminais militares em andamento reforça o risco concreto de reiteração delitiva, sobretudo diante da atual imputação de roubo majorado com arma de fogo, praticado inclusive com armamento da corporação, o que agrava a necessidade de segregação cautelar"

Trecho da decisão proferida em audiência de custódia.

A vítima reconheceu José Dantes e Fabrício Duarte como autores do crime e afirmou que um deles chegou a ameaçar com uma arma de fogo. Populares entregaram aos guardas municipais que realizaram a abordagem a pistola utilizada, municiada com 15 munições intactas.

OPERAÇÃO DO GAECO

Em outubro do ano passado, o Diário do Nordeste noticiou com detalhes o suposto esquema envolvendo composições da Polícia Militar do Ceará (PMCE) que entravam na Comunidade do Pôr do Sol, na Grande Messejana, em Fortaleza, apenas para receber propina, e não realizavam o patrulhamento esperado, conforme denúncia do MPCE.

O nome de José Dantes é apontado em diversas situações monitoradas pelo Ministério Público. Uma delas, segundo a acusação, aconteceu em 29 de abril de 2025, quando José e outros três PMs chegaram na região às 10h41 e questionaram a uma pessoa se "vai dar certo?", saindo em seguida. 

Às 10h52, os militares voltam ao local, e um deles diz "está vindo sem nada na mão". Seis minutos depois, uma nova abordagem, e um suspeito pede mais um tempo.

O esquema chegou ao conhecimento do Gaeco por meio de “denúncias anônimas”, "notícias acerca do recebimento sistemático de vantagens financeiras por parte de policiais militares que atuam nas proximidades da comunidade Pôr do Sol e do condomínio Residencial dos Escritores, na Grande Messejana".

"Por meio dos relatórios em alusão, foi possível descortinar um esquema criminoso bem estruturado, voltado à prática dos crimes de corrupção passiva, extorsão e facilitação do tráfico de entorpecentes, por parte de policiais militares do Estado do Ceará"

MPCE

O PM Álisson Pinto Silva é apontado pelos investigadores como líder do esquema e "responsável por repassar as ordens a serem executadas pelos demais agentes que compõem o grupo investigado, atuando os outros membros como executores de seus comandos, a fim de obterem propina, e, para isso, contam com grupo(s) de aplicativo de mensagem instantânea para conversarem e articularem os arranjos criminosos entre si".

DESERÇÃO

No dia 12 de abril de 2024, o cabo estava escalado para prestar serviço e não teria se apresentado na unidade policial e nem apresentado justificativa sobre a ausência. 

De acordo com documentos que a reportagem teve acesso, só no dia 25 de abril José Dantes se apresentou espontaneamente no batalhão. 

O praça foi ao quartel e entregou um atestado médico psiquiátrico de 30 dias, com data de início retroativa a 12 de abril de 2024. Na versão do suspeito, "ele usa medicamento tarja preta e acredita que isso lhe causou uma confusão mental quanto à apresentação do atestado médico para licença psiquiátrica para tratamento de saúde".

O PM foi detido em flagrante por deserção e depois teve a liberdade provisória concedida "cumulada com outras medidas cautelares substitutivas da prisão, não havendo necessidade de conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva". O processo segue em andamento. 

Da redação do Conexão Correio com Diário do Nordeste 



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