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Cadelinha companheira do cão Orelha não resiste e morre

Foto: Reprodução/Redes Sociais. A cachorra Pretinha, nome dado pela comunidade da Praia Brava, em Florianópolis, faleceu nessa segunda-feira...

Foto: Reprodução/Redes Sociais.

A cachorra Pretinha, nome dado pela comunidade da Praia Brava, em Florianópolis, faleceu nessa segunda-feira (9). Ela era a companheira e amiga do cão Orelha, vítima de maus-tratos na mesma região.

O anúncio veio a partir de uma publicação feita nas redes sociais do empresário Bruno Ducatti. Em carta aberta, ele afirma que Pretinha faleceu em decorrência de falência renal, agravada por complicações causadas pela dirofilariose, doença mais conhecida como verme do coração.

Segundo Ducatti, Pretinha foi retirada das ruas após o que aconteceu com Orelha. Foi então que o real estado de saúde dela ficou visível para os cuidadores. "Um quadro silencioso, avançado e cruel, como o de tantos animais invisíveis neste país", descreve o empresário.

Pretinha foi tratada com todo o cuidado e carinho, segundo conta Ducatti. "Foram utilizados todos os recursos possíveis: internação intensiva, exames complexos, medicações de alto custo e acompanhamento contínuo". Porém, mesmo com os tratamentos, Pretinha descansou. "Não houve omissão, descaso ou abandono. Houve luta até o fim".

"Pretinha e Orelha deixaram uma marca que ultrapassa a Praia Brava. Suas histórias expõem o que funciona quando há cuidado comunitário — e o que falha quando o poder público e a sociedade se omitem", denuncia Bruno Ducatti.

O empresário admitiu ainda sentir frustração e tristeza por não ter conseguido salvar o animal, e reforçou os apelos por justiça para Orelha. "Resta-me a certeza de que Pretinha não agonizou sozinha na rua", finalizou.

Caso Orelha

Conforme a apuração da Polícia Civil de Santa Catarina, o ataque ao cachorro ocorreu entre 5h25 e 5h58 do dia 4 de janeiro. Imagens de câmeras e dados de localização de celular indicam que o adolescente saiu de um condomínio em direção à praia nesse intervalo. A polícia analisou cerca de mil horas de gravações e ouviu 24 testemunhas.

Três outros adolescentes que chegaram a ser investigados foram descartados por não estarem no local no horário estimado. Orelha foi encontrado ferido no dia seguinte, com lesões na cabeça, levado a atendimento veterinário e morreu pouco depois.

Um laudo indireto, baseado no atendimento, apontou que a causa da morte foi um golpe na cabeça por objeto contundente. O relatório foi encaminhado ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), e a Polícia Civil solicitou a internação do adolescente.

Com o andamento das investigações, surgiu a acusação de ocultação de provas por parte da família dos acusados. Essa hipótese foi levantada após uma abordagem no aeroporto, cerca de 25 dias depois do fato, quando um dos adolescentes retornava de uma viagem aos Estados Unidos.

Conforme a Polícia, familiares teriam tentado esconder um boné e um moletom usados pelo adolescente no dia da agressão. Em entrevista ao programa "Fantástico", a mãe negou a versão.

Ela afirmou que entregou o boné solicitado e que o filho viajava com o moletom, dizendo que não houve recusa nem tentativa de esconder objetos e que a família não sabia quais provas eram procuradas. A pedido da polícia, a Justiça determinou a entrega do passaporte do menor.

*Estagiário sob supervisão do jornalista Felipe Mesquita.

Da redação do Conexão Correio com Diário do Nordeste 

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