Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados. O ex-deputado federal Eduardo Bolsonato trabalhou como produtor-executivo do filme "Dark Horse...
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| Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados. |
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonato trabalhou como produtor-executivo do filme "Dark Horse", que foca na biografia do pai, Jair Bolsonaro. Segundo apurações do Intercept Brasil divulgadas nesta sexta-feira (15), Eduardo era responsável por captar recursos, tendo poder na tomada de decisões, inclusive financeiras, sobre a produção.
Eduardo, que teve mandado cassado e vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025, tentou omitir a conexão. Em post feito no Instagram, na quinta-feira (14), após notícias sobre o filme ter recebido dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro, em conexão articulada por Flávio Bolsonaro, Eduardo afirmou que apenas cedeu os direitos de imagem e não tinha cargo de gestão na produção.
Nesta sexta-feira (15), porém, o ex-deputado federal publicou um pronunciamento nas redes sociais afirmando que destinou US$ 50 mil próprios, oriundos de seu curso "Ação Conservadora", para garantir o contrato inicial de dois anos com "um diretor de Hollywood" que desenvolveria o roteiro do filme sobre seu pai.
"Coloquei todo o risco somente para mim. Estava chegando o final desse contrato, íamos perder o diretor, quando surgiu a possibilidade de um grande investidor vir a nos ajudar a fazer o filme. Que, depois, acabou sendo, né, um pool de vários investidores. Então, não tem nada além disso", afirmou. Ele disse ainda que, à essa época, seu contrato de "produtor-executivo" era com a produtora responsável pelo longa, por ele ter "assumido um risco" financeiro.
Por fim, ele disse que recebeu a devolução do dinheiro por parte da produtora. "Quando essa estrutura passou a ter fundo de investimento, eu saí dessa posição de diretor-executivo, que era um contrato antigo com a produtora, e passei a ser somente uma pessoa que cedeu direitos autorais", continuou.
Durante a investigação jornalística, o Intercept teve acesso a um contrato de produção, datado de novembro de 2023, que contém a assinatura digital de Eduardo Bolsonaro, feita em janeiro de 2024. No documento, Eduardo e o deputado federal Mario Frias, também do PL de São Paulo, aparecem à frente da produção-executiva.
No contrato, a empresa GoUp Entertainment, sediada nos Estados Unidos, aparece como produtora.
Eduardo podia controlar como os recursos seriam gastos
Estando no cargo de produção-executiva, Eduardo tinha o poder de lidar diretamente com o controle de orçamento e gestão financeira do projeto audiovisual, conforme a apuração do Intercept. Ele poderia escolher como os recursos seriam captados e gastos.
Ao lado de Mario Farias, o filho de Bolsonaro poderia atuar em atividades do "Dark Horse", incluindo o “envolvimento nas considerações estratégicas relacionadas ao financiamento do filme e preparação de informações e documentação para investidores e assistência na identificação de recursos de financiamento de filmes, incluindo créditos e incentivos fiscais, colocação de produtos e patrocínio”.
Em nota, a defesa do deputado Mario Frias informou ao Intercept que "Eduardo Bolsonaro não é e nunca foi produtor-executivo da produção do filme Dark Horse" e "nunca recebeu qualquer quantia do fundo de investimento cujo produto privado final é o filme".
Não houve pronunciamento de Flávio Bolsonaro, nem do banqueiro Daniel Vorcado após a publicação da reportagem pelo Intercept nesta sexta. A defesa de Jair Bolsonaro afirmou que ele não pode se manifestar porque está preso.
Da redação do Conexão Correio com Diário do Nordeste

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